2.5.12

Adolescentes portugueses entre os que mais sofrem de excesso de peso


Alexandre Mestre disse que as conclusões do estudo serão analisadas
Portugal faz parte do grupo de países com maior percentagem de jovens com excesso de peso ou que sofrem de obesidade. Num ranking de 39 estados europeus e da América do Norte, o país aparece em 5.º lugar, quando analisados os alunos de 11 anos, em 4.º lugar, quando tidos em conta os de 13 anos, e em 6.º lugar, no grupo dos de 15 anos.

Os dados constam do Health Behaviour in School-aged Children — um grande levantamento dos comportamentos e estilos de vida dos adolescentes levado a cabo de quatro em quatro anos na Europa e na América do Norte em colaboração com a Organização Mundial de Saúde (OMS). O último inquérito abrangeu cerca de 200 mil jovens.
O relatório mundial foi hoje divulgado em Edimburgo e será apresentado esta tarde em Portugal pela coordenadora nacional da investigação, a catedrática Margarida Gaspar de Matos, e três secretários de Estado (Desporto e Juventude, Saúde e Ensino Básico e Secundário). 
Margarida Gaspar de Matos lembra que investigações anteriores já mostravam níveis elevados de excesso de peso em crianças mais jovens. E que o problema pode estar a alastrar à adolescência. O estudo hoje apresentado revela que 20% das meninas portuguesas de 11 anos sofrem de peso a mais ou de obesidade. É o segundo valor mais alto, em 39 países, depois do registado pelos Estados Unidos. Aos 15 anos, 15% das raparigas e 19% dos rapazes têm o mesmo problema — valores uma vez mais acima da média.
Factores que nada têm a ver com o peso real dos jovens podem estar a inflacionar esta taxa, diz Margarida Gaspar de Matos — desde logo, a dificuldade que os alunos portugueses mais jovens, mais do que os de outros países, revelam em preencher inquéritos. Porque os entendem mal (os dados relativos à obesidade foram calculados a partir das informações sobre altura e peso transmitidas pelos alunos). 
Ainda assim, o secretário de Estado do Desporto e da Juventude, Alexandre Mestre, disse, em declarações ao PÚBLICO, que as conclusões “preocupantes”, prometeu que serão analisadas pelo Governo e que “a seu tempo” serão anunciadas medidas, nomeadamente na área do desporto escolar.
Em comunicado Zsuzsanna Jakab, director regional da OMS para a Europa, sublinha as desigualdades que os dados relevam: “Este relatório mostra-nos que a saúde depende da idade, do género, da geografia e do estatuto sócio-económico. Não tem que ser assim.”
No comunicado, Portugal é citado por duas razões, uma boa e outra má. A má, já se disse, é o excesso de peso. A boa notícia é que o país tem das taxas de consumo de tabaco mais baixas do que a média: 10% das raparigas e 11% dos rapazes de 15 anos fumam semanalmente; a média de 39 países analisados é 17% e 19%, respectivamente.

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