A importância do desporto na vida dos jovens. Uma explicação para os pais

1.     Introdução
    Existe a crença generalizada de que fazer desporto faz bem à saúde das crianças. Por isso, são cada vez mais os pais que apostam no desporto como forma de ocupação dos tempos livres dos seus filhos, pois reconhecem que este veicula um conjunto de valores e virtudes.
    Contudo, alguns investigadores nesta área, colocam em causa os benefícios da prática desportiva, ou seja, fazer Desporto tanto pode ser bom, como pode ser mau; depende sobretudo da experiência vivida pelas crianças. Quer isto dizer que não basta colocar as crianças a frequentar uma qualquer actividade desportiva para que elas beneficiem dessa mesma prática. A qualidade da prática é o mais importante. De seguida, passaremos a explicar as possíveis virtudes do desporto.
2.     Benefícios do desporto
    Realizar exercício físico, seja em que idade for, pode trazer um conjunto de benefícios, não só a nível físico, como psíquico e social.
    A nível físico é sabido que o desporto ajuda no combate à obesidade, reduz o risco de doenças cardiovasculares, fortalece músculos, ossos e articulações.
    A nível psíquico, eleva a auto- estima dos praticantes, pois este desenvolve um conjunto de habilidades que antes não possuía e melhora o seu aspecto físico, tendo consequentemente uma melhor imagem de si.
    A nível social, o Desporto assume-se como um lugar privilegiado para se realizarem laços sociais de amizade, permitindo a partilha de sentimentos e dando ao indivíduo a sensação de pertença a um grupo.
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    Por tudo aquilo que se acaba de explanar, fica bem patente a importância da prática desportiva para o pleno e harmonioso desenvolvimento das crianças.
3.     O Desporto para jovens e crianças
    O desporto para crianças e jovens é hoje organizado e orientado tendo como modelo a prática desportiva dos adultos. Quer isto dizer que os vícios próprios do desporto para os adultos, invadem hoje a prática desportiva dos mais jovens. Um olhar mais atento sobre o desporto para jovens permite-nos verificar um quadro profundamente negro, alicerçado em atitudes incorrectas de treinadores, atletas e pais. É normal verem-se pais a dirigirem todo o tipo de impropérios aos árbitros, treinadores que tratam as crianças como se estas fossem profissionais e jovens atletas utilizando um vocabulário de todo reprovável. Estes acontecimentos fazem-nos levantar algumas questões às quais importa responder:
  • Quais os objectivos do desporto para jovens?
  • Qual a importância dos pais na obtenção dos objectivos?
O Desporto de jovens de ter como objectivos fundamentais:
    A aquisição de valores, pois o desporto é um contexto propício a essas aquisições.
No Desporto o seu filho pode aprender:
  • O Valor da saúde, pois a prática desportiva apela à adopção de um estilo de vida saudável;
  • O valor da cooperação, pois num desporto de equipa só se conseguem atingir os objectivos quando todos unem esforços em torno de um projecto comum;
  • O valor do respeito, ou reconhecer que todos erram e que o mais importante é apoiar os colegas nos maus momentos, para que os colegas façam o mesmo;
  • O valor da Amizade, pois a prática desportiva favorece a possibilidade de se fazerem amigos;
  • O valor da justiça, recusando vantagens injustificadas e reconhecendo no adversário um elemento indispensável sem o qual não há competição;
  • O valor da Multi-culturalidade, pois na prática desportiva, os mais jovens partilharão o mesmo espaço com crianças de diferentes meios económicos e culturais, contribuindo para o respeito pelas diferentes culturas;
  • O valor do Empenho, pois aprenderão que para se atingir um determinado objectivo é necessário, muito trabalho, esforço e dedicação, sem os quais nunca obterão sucesso;
  • O valor da Derrota. O desporto ensina as crianças a compreenderem que a vida se faz de sucessos e insucessos e que é importante aprender com os insucessos que vão surgindo ao longo da vida.
Contudo para que isto seja possível, o papel dos pais é determinante.
4.     Por isso, dirigem-se aos pais os seguintes conselhos:
  • Explique ao seu filho que perder não significa fracasso. A derrota é uma consequência lógica de quem pratica desporto, pois existem sempre 3 resultados possíveis: ganhar, empatar e perder. Além disso, a derrota permite-nos reflectir acerca dos aspectos onde devemos melhorar;
  • Refira-lhe que a vitória é um estado transitório, ou seja, se hoje ganhamos, é possível que amanhã percamos. Quer isto dizer, que deve ensinar o seu filho a ser humilde nas vitórias, respeitando os adversários.
  • Diga-lhe convictamente que o Desporto não é uma guerra e que os adversários não são inimigos (Pinheiro,Costa, Sequeira e Cipriano, 2008). As crianças tendem a encarar os jogos desportivos como uma “guerra de vida ou morte”, esquecendo-se frequentemente de se divertirem com o jogo. Diga-lhes que o mais importante é tirar partido dos benefícios que o jogo lhes dá. Não se canse de lhes dizer que o adversário não é um inimigo. O adversário é um elemento indispensável à competição, ou seja, sem adversário não há jogo, e é o jogo a maior motivação e fonte de prazer das crianças. Por isso, devemos sempre respeitar o adversário como um amigo.
  • Diga ao seu filho que é possível ganhar e jogar com Fair-Play (Pinheiro, Costa, Sequeira e Cipriano, 2008). Alguns estudos feitos com crianças demonstram que estas pensam que quem joga com Fair-Play quase sempre perde. Não tenha receio de lhe afirmar que é possível conciliar a vitória jogando com respeito pelos regulamentos, árbitros, adversários e público.
  • Não se esqueça de lhe dizer que fazer desporto é uma opção saudável e um excelente complemento para os tempos livres, mas que o mais importante é estudar.
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Por fim, gostaríamos de dar alguns conselhos acerca do comportamento dos pais durante as competições desportivas:
  • Respeite as opções do treinador e não interfira no seu trabalho. O treinador quer o melhor para a equipa, ou seja, para todos os jogadores, onde se inclui o seu filho. Deixe o treinador trabalhar livremente.
  • Respeite as decisões dos árbitros, mesmo que lhe pareça que este tenha errado contra a equipa do seu filho. O erro faz parte do ser humano. Se não respeitar o árbitro, estará a influenciar o comportamento do seu filho dentro de campo. Não se admire depois que ele mesmo desrespeite o árbitro;
  • Respeite os jogadores adversários, evitando comentários depreciativos acerca dos mesmos. Não se esqueça que é uma competição de crianças e que certamente também não gostaria de ouvir comentários desagradáveis acerca do seu filho;
  • Não se envolva em atritos e discórdias com os pais da equipa adversária, mesmo quando sente que está a ser provocado. Nunca se esqueça que o seu filho está dentro do campo, mas vê perfeitamente aquilo que se passa na bancada.
  • Aplauda as coisas bonitas feitas pelos colegas dos seus filhos. Mas, não se esqueça também de aplaudir aquilo que os jogadores adversários fazem de bem. O desporto é rico em situações de virtuosismo e por isso devemos aplaudir sempre, mesmo quando essas façanhas tenham sido realizadas pelos adversários.
    Em jeito de conclusão, reflicta nesta frase:
Ensine o seu filho a gostar de Desporto, em vez de o ensinar a gostar apenas de ganhar.
Referências bibliográficas


  • Pinheiro, V. Costa, A, Sequeira, P. Cipriano, M. (2008). O treinador de jovens na promoção do Fair-Play. Mito ou Realidade? In Actas do V congresso técnico científico de Andebol “Dos talentos aos consagrados”. Formand. ULHT.

Testes Online





GINÁSTICA

FUTEBOL  


Adolescentes portugueses entre os que mais sofrem de excesso de peso


Alexandre Mestre disse que as conclusões do estudo serão analisadas
Portugal faz parte do grupo de países com maior percentagem de jovens com excesso de peso ou que sofrem de obesidade. Num ranking de 39 estados europeus e da América do Norte, o país aparece em 5.º lugar, quando analisados os alunos de 11 anos, em 4.º lugar, quando tidos em conta os de 13 anos, e em 6.º lugar, no grupo dos de 15 anos.

Os dados constam do Health Behaviour in School-aged Children — um grande levantamento dos comportamentos e estilos de vida dos adolescentes levado a cabo de quatro em quatro anos na Europa e na América do Norte em colaboração com a Organização Mundial de Saúde (OMS). O último inquérito abrangeu cerca de 200 mil jovens.
O relatório mundial foi hoje divulgado em Edimburgo e será apresentado esta tarde em Portugal pela coordenadora nacional da investigação, a catedrática Margarida Gaspar de Matos, e três secretários de Estado (Desporto e Juventude, Saúde e Ensino Básico e Secundário). 
Margarida Gaspar de Matos lembra que investigações anteriores já mostravam níveis elevados de excesso de peso em crianças mais jovens. E que o problema pode estar a alastrar à adolescência. O estudo hoje apresentado revela que 20% das meninas portuguesas de 11 anos sofrem de peso a mais ou de obesidade. É o segundo valor mais alto, em 39 países, depois do registado pelos Estados Unidos. Aos 15 anos, 15% das raparigas e 19% dos rapazes têm o mesmo problema — valores uma vez mais acima da média.
Factores que nada têm a ver com o peso real dos jovens podem estar a inflacionar esta taxa, diz Margarida Gaspar de Matos — desde logo, a dificuldade que os alunos portugueses mais jovens, mais do que os de outros países, revelam em preencher inquéritos. Porque os entendem mal (os dados relativos à obesidade foram calculados a partir das informações sobre altura e peso transmitidas pelos alunos). 
Ainda assim, o secretário de Estado do Desporto e da Juventude, Alexandre Mestre, disse, em declarações ao PÚBLICO, que as conclusões “preocupantes”, prometeu que serão analisadas pelo Governo e que “a seu tempo” serão anunciadas medidas, nomeadamente na área do desporto escolar.
Em comunicado Zsuzsanna Jakab, director regional da OMS para a Europa, sublinha as desigualdades que os dados relevam: “Este relatório mostra-nos que a saúde depende da idade, do género, da geografia e do estatuto sócio-económico. Não tem que ser assim.”
No comunicado, Portugal é citado por duas razões, uma boa e outra má. A má, já se disse, é o excesso de peso. A boa notícia é que o país tem das taxas de consumo de tabaco mais baixas do que a média: 10% das raparigas e 11% dos rapazes de 15 anos fumam semanalmente; a média de 39 países analisados é 17% e 19%, respectivamente.

Pratiquem Desporto! Vivam com saúde!

Desporto em crianças e jovens. O que eu penso e o que a ciência diz!
Muito se tem falado sobre o papel do desporto no crescimento e desenvolvimento de crianças e jovens. Todavia, por paradoxal que pareça, existem ainda poucos dados científicos que suportem muitas das afirmações que se vão lendo e ouvindo. Por um lado, fala-se de que há cada vez mais crianças com excesso de peso e obesidade e, simultaneamente, debate-se a questão do denominado treino intensivo precoce. Isto é, os possíveis malefícios do treino intenso com crianças e jovens.
Há cerca de 2 semanas participei como conferencista numa reunião científica para pediatras e em que abordei exactamente este tema: o papel do exercício no crescimento saudável dos nossos miúdos. Como se sabe, não são raras as vozes a falarem sobre os malefícios provocados sobre o treino de modalidades exigentes em idades precoces como a natação e a ginástica. Fala-se muito que esses jovens atletas acabam por ter uma vida social muito limitada, têm problemas de crescimento, lesões frequentes, etc. Ora, o que se sabe, do ponto de vista científico, é que não há quaisquer evidências que suportem estas afirmações. Retira-se daqui, obviamente, os casos absurdos e irresponsáveis.
Tenho tido uma experiência profissional fantástica como fisiologista da equipa de natação do FC Porto. Já lá vão 3 anos. São jovens que treinam 9 e 10 vezes por semana. Entram na piscina às 7.00 da manhã, faça chuva ou sol, acabam o treino e vão directamente para as aulas. Às 8.30 já estão prontos para começar um dia escolar intenso. Voltam de novo às 19.00 à água ou ao ginásio. Repetem isto todos os dias da semana e acrescentam ainda 2 treinos no fim-de-semana. Resultado: excelentes atletas, miúdos alegres, sociáveis, bons estudantes. Saiem à noite, convivem, vão a festas, fazem férias, etc. Ou seja, não são extra-terrestres! Fico impressionado quando ouço alguns neo-pedagogos chamarem à atenção para este aparente exagero. Não é exagero. É organização, cumprimento de objectivos, solidariedade com a equipa, identificação colectiva, orgulho de pertença. Não é isto que nós dizemos sistematicamente que falta a esta geração? Se sim, porque receamos?
Por exemplo, onde estão as evidências dos malefícios do treino intenso em crianças? Serão os seus efeitos benignos e reversíveis ou irreversíveis e persistentes no tempo? Serão as crianças mais susceptíveis às lesões de sobrecarga? Como se demonstra que especializar precocemente encurta a carreira desportiva de um atleta? Como é possível entender as denominadas “fases sensíveis” se a prática do treino se encarrega cabalmente de as desmentir? Que justificações biológicas têm, na realidade, as “fases sensíveis”?
Temos de nos preocupar é com as consequências de um número cada vez maior de crianças e jovens que passam o tempo “sem fazer nada”. Não praticam um desporto, não estudam, não se identificam, não se focam e, como tal, acabam por pagar um preço elevado. Este deverá ser a nossa preocupação central.
Já percebemos que a questão do excesso de peso não é fácil de resolver. Não é o desporto por si só que resolverá o problema. Mas ajuda. E, para isso, a Escola tem que, por um lado, encarar as aulas de Educação Física tão importantes como a Matemática ou o Português. E, por outro, eleger estes jovens desportistas como exemplos, como referenciais. Caso contrário, teremos uma geração de gente pouco saudável, física e intelectualmente.
A Escola e a Universidade que continuem a considerar o desporto como uma actividade menor, com reduções de horário, com desculpas para os que “não têm jeito” para o Desporto e depois não se queixem. Claro que a Escola e as entidades oficiais poderão sempre contentar-se com uns cartazes, os dias da saúde ou as caminhadas no dia do Pai. Mas, infelizmente, não chegará.
Deixemo-nos de hipocrisias e falsos sentimentalismos. Os jovens desportistas que treinam, que têm objectivos e que lutam por eles são um exemplo e devem ser vistos dessa forma.
Caro leitor, esta minha experiência com estes nadadores jovens e, com toda a certeza, com muitos outros, tem sido uma lição de vida para mim. Aprendem desde muito cedo, aquilo que deu o título à minha crónica da semana passada. Não é uma questão de tempo. É de energia!

De resto, salvo raras excepções e que correspondem habitualmente à falta de conhecimento, os estudos mais recentes salientam alguns aspectos importantes e a reter:
1º Os pais devem estar mais preocupados com a capacidade técnica do treinador do que com a quantidade de treino;
2º A maioria das lesões ocorre por deficiência de material e protecção inaadequada (ex: caneleiras no futebol, joelheiras, etc.). A supervisão do treinador é o aspecto essencial;
3º O treino mais intenso deve ser acompanhado por uma alimentação adequada. Um jovem que treina 8 vezes por semana não se pode alimentar como um sedentário;
4º A maioria das alterações provocadas pelo treino intenso são benignas e reversíveis.
Em resumo, enquanto pais, preocupem-se mais com a qualificação do treinador e do equipamento de treino do que com a quantidade e intensidade do treino!

TPC
1. Estimule o seu filho a praticar um desporto;
2. Não dê a entender que o desporto é algo menor a que se pode faltar por qualquer razão;
3. Entenda o desporto como algo tão importante como outra actividade qualquer;
4. O desporto é uma actividade exigente que “treina” os jovens para as dificuldades da vida. Por isso, faltar, não se empenhar é um sinal de compromisso. No desporto e, ser+a certamente, na vida.
5. Vá com o seu filho ver espectáculos desportivos. Incentive-o a ser um desportista. Tem custos mas tem benefícios incríveis”

Publicada por José Soares
23 de Fevereiro de 2012

Harvard apresenta nova pirâmide dos alimentos

Exercício físico e café são novas sugestões

 My Plate é baseado em investigação mais actual.

O Departamento de Nutrição da Universidade de Harvard propôs substituir a pirâmide ou roda dos alimentos, apresentando a figura de um prato que mostre quantidades aconselháveis e incluindo exercício físico. Os especialistas dizem que esta sugestão "é baseada em investigação mais atual, sem interesses da indústria nem pressões políticas e, para além disso, dá recomendações mais específicas e precisas".


O guia de alimentação designado por "My Plate" aventa ser mais informativo e intuitivo do que o modelo piramidal, já que as proporções dos alimentos a ingerir são mais explícitas. A proposta é encher metade do prato com fruta e legumes, um dos quartos restantes é para cereais e o outro é reservado a proteínas (recomendando peixe, aves, feijão e nozes), mas inclui ainda óleos vegetais e um copo de água, que pode também ser substituído por uma chávena de café ou chá (limitando para crianças).
No entanto, não sabemos se a cota parte ocupada pelos cereais no prato se refere a cereais normais ou integrais, por exemplo, entre outras questões. Alguns especialistas já estão a criticar de forma negativa o "My Plate" porque parece ser mais a favor de ir buscar proteína à carne vermelha do que ao peixe.

Quanto a óleos, o esquema em forma de prato não fala das vantagens do azeite relativamente a outros. Esta nova pequena roda dos alimentos inclui ainda o exercício físico, um sector que até agora nunca tinha sido abordado. A sugestão principal deste esquema alimentar é ter um “prato colorido” e variado.

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